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sábado, 8 de julho de 2017

ANÁLISE FÍLMICA DUMA ZÉ NINGUÉM







Que as aparências iludem, já todos nós sabemos, graças a programas educativos como o Love on top, ou através da Metamorfose, de Franz Kafka.
Quase tudo aquilo que fazemos, é baseado nas aparências. Aparentemente, aquele amigo que não vês há algum tempo, está bem, ou pelo menos é o que parece através dos Posts que ele faz. Quando estás gorda, tens uma aplicação que faz a Sara Sampaio sentir-se a popota ao teu lado. Vais sacar quantos likes? 
Se estás branca, nada que um filtro do insta não resolva. Se estás pobre este verão e não podes ir além da praia de Caxias, desde que só apareça água, chicha tua e areia, podes colocar hashtag com nome do resort que te vier à cabeça, só não digas que estás nas Maldivas, talvez não seja muito credivél devido à cor da água, mas Indónesia funciona, sério vai por mim.
Eu gosto particularmente, daquelas pessoas que se acham super seguras e realizadas, sim, aquelas pessoas detentoras da razão que odeiam show of, odeiam aparecer, adoram dar lições de moral, mas fazem exatamente o oposto. Detesto sair em revistas, mas choram por aparecer.
'Ah, eu não acredito que fui apanhada a mexer na mama, na praia de S. João ?- mas foi ela que combinou paparazzi. Também gosto das pessoas que se colam aos amigos e namorados/namoradas para aparecer. Afinal, quem não gosta de mostrar à avó que apareceu na revista?
E juntar algum material giro para recordar mais tarde? Sim, juntarmos as revistas onde demos entrevistas com o namorado por exemplo. É querido, é a nossa vida e vamos um dia poder mostrar aos nossos filhos e netos. E os nossos netos vão querer mostrar como a avó era gira....gira...mas este aqui não é o avô!
- Avó quem é este?
- Deve ser o Roberto. Era um namorado que a avó teve antes de conhecer o amor verdadeiro, o avô.
- Avó, aqui diz Manuel.
 O preço da fama às vezes é tramado, mas só para alguns. O ser humano tem uma capacidade gigante em amar e, nós mulheres amamos mais vezes do que os homens.
A decisão em expor a nossa vida pessoal, é nossa. Seja no facebook, ou outra rede social, seja nas revistas, no trabalho, ou no cabeleireiro.
A diferença entre uma pessoa normal e uma pessoa que se tornou figura pública, é que a segunda não vai apenas ser alvo de críticas da vizinha ou amigos da escola. O povinho gosta de falar, essencialmente, falar mal. Ora quando a moça que trabalhava no café do Chico, vai a um 'Castingue' e é escolhida, passa de talentosa a vendida num abre olhos. Quando se tem muito amor para dar, fazemos juras de amor eterno, falamos sobre o casamento, damos mil entrevistas a contar tretas que não deviam interessar a ninguém, mas que é o que vende revistas, é aquilo que o Português adora. Saber da vida dos outros, seja a vida da dona da padaria, a vida da Maria que chega a casa sempre de madrugada, ou a vida privada da Cláudia Vieira. As pessoas querem é ter certeza de que a vida dessas pessoas não diverge tanto assim da dela. Quanto pior, melhor. Afinal, felicidade alheia é pior que urticária.  Mas quando alguém da televisão, seja uma atriz famosa ou uma apresentadora termina uma relação, a única relação pública e assumida e , decide simplesmente não abrir mais a porta da sua privacidade, passa a ser alvo das revistas. Ora , ora , então primeiro dava tudo, agora quer arrancar o chupa da boca da criança?
A relação com os mídia,  tem de ser cuidadosa, há uma linha que separa, o que se quer expor, porque realmente deve ser exposto e não deixar que se crie grandes enredos, daquilo que simplesmente não temos de expor. Há pessoas que usam máscaras para se protegerem ou para atingirem um determinado objetivo, outras criam personagens, para o mesmo efeito. Algumas, simplesmente não querem saber, são aquilo que são e às vezes saem prejudicadas por isso. Outras são pessoas completamente deslumbradas, sem filtro para entender que tudo o que é demais, enjoa. A festa do croquete? Há sempre dez pessoas que são exatamente as mesmas dez, das dez festas do croquete deste mês.
Não falham, são mulheres  mas por vezes deixam-na em casa e trazem só a pochete com o iphone.

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i always wonder why birds choose to stay in the same place, when they can fly anywhere on the earth..then i ask myself the same question'
' She had no place she could go without getting tired of it and because there was nowhere to go but everywhere, keep rolling under the stars'