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domingo, 28 de maio de 2017

KALON KAKON


Se é verdade que na Grécia antiga, a mulher,  foi descrita por Hesíodo como ' uma coisa perversa e bela', Kalon Kakon, hoje, continuamos igualmente belas e se calhar, mais perversas ainda.




A mulher é símbolo de sexualidade, sensualidade e de expoente máximo de beleza. No entanto, somos um bicho complicado e de tal forma complexo que muitas das vezes, nem nos entendemos a nós mesmas, não é verdade?

É preciso não esquecer que a inteligência e a postura que temos ao longo da nossa vida, será certamente a nossa maior arma de beleza, porque exteriormente, hoje em dia com umas centenas de euros, conseguimos melhorar e modificar aquilo que não gostamos. Mas e o resto? O processo interior de mudança é muito mais trabalhoso, portanto, preferimos olhar para o lado e julgar as outras mulheres. 


Somos insatisfeitas por natureza, isso já todas nós sabemos. Precisamos ser aceites pelos outros, precisamos ser mimadas, adoradas, elogiadas e acima de tudo, desejadas. 

Numa Era em que as redes Sociais ganharam uma importância que nem consigo descrever, ser famosa é ter um determinado número de seguidores e algumas marcas a querer oferecer-nos produtos ou com sorte,  pagar em troca de publicidade. A diversidade de aplicações que nos permitem em cinco minutos, transformar uma foto pura, imperfeita e real, numa foto digna da Vogue, está à distância de um download. Hoje, podemos pegar numa foto em que parecemos um macaco a chupar limão e, transformá-la numa foto daquilo que queríamos ser.  É um pouco parecido com os enchimentos exagerados, nas meninas sem peito, as lentes de contacto de cor que nem tiram para dormir, porque as próprias querem acreditar que os olhos são daquela cor e ponto final. Isto se for uma questão apenas de gosto, ok. Mas já pensaram se não é também uma questão de insegurança? O querer a aceitação, nem se sabe bem de quem? 
Claro que gostos não de discutem , se não gostamos do nosso peso,  tentamos emagrecer , se não gostamos da cor do cabelo, pintamos, se não cresce, pomos extensões, se temos peito grande e não gostamos, disfarçamos. A lista é interminável e o corpo é nosso. Sempre o fizemos e vamos continuar a fazer, a mudar coisas em nós. Mas eu queria apenas dizer-vos que eu sou tão insegura com o meu corpo como a maioria que está a ler este post. Eu detesto as minhas pernas desde sempre, parecem uns troncos, tenho retenção, os meus joelhos são gordinhos. Eu tento combater isto, mas há limites bem definidos neste caso. Para eu estar com as pernas como gostaria, não apenas tinha de fazer muito exercício como tinha de fechar a boca e emagrecer bastante. O resultado é que ia ter as pernas como gosto e o resto ia estar horrível, porque tenho uma grande tendência para ficar com braços escanzelados e a cara 'chupada'. Eu gosto de comer e pronto. Eu não gosto de estar no ginásio e não é novidade. E serei a única que vai sofrer com isso, certo? Eu já prometi a mim mesma que vou começar a fazer exercício físico, pois com a minha idade, será o único jeito de poder continuar a comer sem mais tarde ter de concorrer ao Peso pesado. 

A mensagem que acho importante transmitir, é que não existe perfeição. Se ficarmos obcecadas com isso, vamos perder os melhores anos das nossas vidas. Eu sou apologista duma alimentação equilibrada e mesmo que eu não seja exemplo para ninguém ( porque como muito), acho que se queremos um bolo, comemos o bolo, pronto está comido, não se fala mais nisso. Amanhã vão ao ginásio. Ou fazem como eu, ficam a ver as outras irem enquanto se enchem de mais porcaria no sofá. 

Estou a brincar, nãooo façam o que eu faço. Só as coisas boas.  Eu tenho bastante celulite, mais do que celulite, tenho flacidez e sou a única culpada disso. Mas as únicas edições que tenho nas minhas fotos, são os filtros, mais nada e esta foto que aqui partilho, é a tal foto que gerou quase uma onda de solidariedade de mulher para mulher. Eu recebi histórias fantásticas, testemunhos, pessoas que passaram por muitos complexos, miúdas lindas que se deixam influenciar por aquilo que as ' instagramers' do momento 'vendem' através das suas fotos. Não se iludam, isto é mais simples do que parece.  Existem as modelos, a maioria magra e linda por natureza, muitas delas têm cuidados extremos com a alimentação, mas não são perfeitas, nem mais felizes por isso. 
Existem as miúdas que apareceram do nada, diretamente para o estrelato do Instagram, a maioria bonita ( se bem que nem todas, há umas mesmo feias!), mas que lidam bem com a sua imagem, sabem editá-la, sabem ' vender' essa sensação de que se sentem sexy's e lindas e o resultado disso é que, funciona.  Pelo menos, a maioria das vezes. Depois, tudo se gera em torno da imagem e acaba sendo um negócio.  Mas digam-me lá, quem acorda impecavelmente maquilhada? quem vai tomar o pequeno-almoço com o cabelo arranjado e com rímel e risco preto no olho?
Acordamos desgadelhadas,  quem dorme maquilhada ( não devia!) acorda no mínimo ligeiramente borrada e aposto que a maioria se baba de noite como eu muitas vezes e acorda com marcas na almofada.
Mas nós somos todas diferentes, temos todas qualidades e defeitos. Os nossos defeitos muitas vezes podem tornar-se qualidades, podem distinguir-nos e não tem de ser de forma negativa. 
Mesmo que nos achemos feias, o que podemos fazer? Dar dez a zero a todas as bonitas, mostrando que temos um interior do caraças,  pegando nas nossas fraquezas e transformado-nas em pontos fortes.  Alguém que se ache feia e esteja a ler isto , alguma vez se olhou ao espelho e disse ' Sou feia e adoro-me '? 

Não digo as meninas que dizem que se acham feias para que digamos que são lindas, eu estou a falar com quem se acha mesmo feia, sabe que é feia e em vez de estar fechada em casa a pensar como gostaria de ser,  aproveitou esse tempo para se tornar muito mais bonita do que qualquer outra mulher, mostrando garra e amor-próprio? 
É um facto que todas as mulheres são bonitas, mas não porque o somos exteriormente. Isso é aquela onda solidária de que todas somos lindas. Na verdade sabemos que o que é bonito para mim, não tem de ser para a outra pessoa e, depois há belezas que são irrefutáveis, não dá para negar que são lindas e ponto final. Mas se a beleza exterior atrai, é o nosso interior que conquista. Não só os homens, mas como outras mulheres, pessoas e tudo o que nos rodeia. 


Portanto vamos tentar ter menos complexos, seja os dentes, as estrias ou a celulite. 

Claro que eu tento combater a celulite, ok, é um facto que a tenho mas não quer dizer que não a tente combater. Simplesmente sei que nunca me vou ver livre dela, então é como a velha história , se não a podes vencer, junta-te a ela. A genética é tramada e é preciso conhecer o nosso corpo e saber os nossos limites físicos.

Colocamos aquele vestido  ou fato de banho que temos há anos guardado para usarmos quando a maldita da casca de laranja desaparecer, mas pode demorar meses, anos ou a eternidade?
Então usa agora, vive agora. O amanhã vem depois 

Há tanta coisa importante com a qual devemos ocupar a nossa cabeça. Viver o dia-a dia, amar os nossos e amarmo-nos. 
=)




2 comentários :

  1. Post excelente Filipa!!! Sem duvida, as pessoas tem de aprender a amarem-se a olharem menos para o lado e deixarem-se de viver obsecadas sobre o q os outros pensam ou em como gostavam de ser. Porque é exactamente como dizes cada uma de nós tem os seus limites fisicos e emocionais nem todas podemos ser magras e altas, nem todas temos um lindo cabelo comprido, etc...fazemos o que esta ao nosso alcance para estarmos bem e essencialmente vivermos bem connosco mesmas! Nunca me esqueço de q na adolescencia queria muito tirar um sinal que tenho, adoravam gozar e tal...hoje nao o tiro por nada é meu é uma característica minha e sinto me bem com ele, e la esta quem diz um sinal diz qq outra coisa! Somos os q somos, mulheres reais e é disto que o mundo deve ser feito! Ja alguem disse, a perfeição é chata! Eheh bjs*

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i always wonder why birds choose to stay in the same place, when they can fly anywhere on the earth..then i ask myself the same question'
' She had no place she could go without getting tired of it and because there was nowhere to go but everywhere, keep rolling under the stars'