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terça-feira, 26 de julho de 2016

THIS BANANA SHOT ME DOWN







 Uma das minhas séries preferidas, bom, talvez, a minha série preferida dos últimos tempos, foi Downton Abbey. Já tinha visto um ou outro episódio solto, até que no Brasil, ganhei o gosto graças à minha amiga Joana. Acabei por ficar viciada e quase chorei quando acabei. É um 'must see', pelo menos, eu acho.


A verdade é que muito se aprende com esta maravilhosa série, não apenas sobre o sistema, cultura e história Inglesa, não apenas sobre o passado, mas aprendemos a avaliar o presente, a temer o futuro, a perceber as diferenças. Sempre existiram Homossexuais, sempre existiram cabras, pessoas más, falsas pudicas, pessoas honestas e guerra. Uma das coisas que me deixou muito a pensar, foi a diferença na moral e nos costumes antes da I Grande Guerra Mundial e no pós-guerra. Já não sei se defendemos a moral e os costumes. Ou na verdade, defendemos os costumes errados, acho.
O salto para o futuro, homens e mulheres já podiam jantar juntos, mesmo que não fosse a torto e direito, mas já era um grande passo. A irreverência, a vontade da Mulher cada vez mais querer fazer ouvir a sua voz, fez-me perceber que ainda continuamos na mesma luta. Ainda somos olhadas de lado muitas vezes.
Afinal, serviço militar é coisa de macho.  Se jogamos Futebol, somos lésbicas, sapatonas autênticas e jamais seremos 100% mulher. Se somos bonitas e somos atrizes, queremos é fama. O corpo da mulher é explorado, é alvo de críticas constantes. O sexismo padroniza as pessoas, coloca-as em compartimentos estereotipados. Quem é homem, tem de agir como tal, tem de ser o tal bad boy em vez de ser bolo fofo, como agora se fala tanto no reality show do momento. Tem de ser machão, mulher é para ser submissa. Bom, já como atriz, se és mulher, então faça chuva ou faça sol, andas descascada, se tens quilos a mais, recebes um alerta, silicone é visto como 'enxerto de cérebro'. Já que não dá para acrescentar talento, acrescentam maminhas. Mas se decides colocar peito, porque te apetece, seja qual for a tua profissão, queres é chamar a atenção. Se és bonita, logo não podes ser talentosa, isso é quase como 2+2=4.
És bonita, és burra, és oferecida, queres é fama. És feia, talvez tenhas talento, mas, não tens lugar na televisão. És boazona, caga no talento, veste lá este top decotado, vamos gravar.
Quantas vezes não ficas com determinado papel porque não tens o peso ideal, o teu nariz é comprido demais, os dentes não são brancos o suficiente, portanto, para protagonista, simplesmente não serves.
Mas seja qual for a protagonista, se não é alguém já do meio, com toda a certeza foi alguém que se deitou com o realizador, o director de casting ou o dono da estação para a qual trabalha.

Mas isto, não são apenas os homens a pensar. Isto é a sociedade em geral. O Machismo é um cancro, é uma doença da sociedade. Sempre existiram mulheres com apetite sexual voraz, mulheres independentes que querem sair à noite, beber uns copos, dançar, fumar um cigarro depois de dar uma queca com um desconhecido. Não é crime. Mas poucas são as relações amorosas que nascem duma queca à primeira vista. És boa para fornicar, mas não és boa o suficiente para apresentar aos meus pais. Amigo, 'make it like a banana split', quem disse que tenciono casar contigo? ! Porque é que a maioria dos homens, quando têm uma  'one night stand', sentem que as coisas não têm continuidade, por decisão deles?
Mas e se gostaram, se por acaso, existiu algum clic, não podem continuar? Namorada minha, tem de ser 'quase' virgem. Isto porque virgem, só se começares a fazer esperas nos infantários.
Mas este 'quase', leva muitas miúdas ao passo seguinte: mentir. Sim, sim, aquele discurso popular, é muito verdade. Os homens adoram inventar para mais, as mulheres para menos. Tudo isto é apenas, mais uma prova do machismo e do medo da mulher em se assumir como ' Livre. Dona do seu corpo'. E os homens??? Não podem correr o risco de ter uma lista inferior, nunca, jamais! Porque se o fazem, se são sinceros, são bolo fofo, vão ficar para 'corno' manso. 
Nós para sermos boas esposas, devemos ser assexuadas. Really? Mas a verdade é que, a paixão muitas vezes acaba, numa relação. O amor constróis, mas a atração física, essa é inata, acontece, muitas vezes, mesmo quando nem são trocadas palavras. Tu dás por ti a flirtar várias vezes, muitas vezes durante a tua vida, sejas comprometida ou não. Seja de forma inocente ou não. Seja só por breves segundos, ou não. Mas isso não quer dizer que sejamos todas umas putas e os homens tudo farinha do mesmo saco. Somos seres humanos. O respeito é para mim, das coisas mais bonitas e essenciais nesta vida. O respeito pelos nossos sentimentos, pelo sentimento dos outros, pelos animais, pelas pessoas, pelas religiões, pela natureza, pelo passado e pelo presente. A palavra respeito, vem do latim, respicere, significa, olhar para trás. E isto diz tudo. Ter consciência, agir de acordo com ela. Não fazer aquilo que não queremos que nos façam. Não magoar as pessoas que gostamos, apenas para ceder a caprichos. Não magoar, não pisar, não menosprezar, ninguém. Mas o respeito, este sentimento positivo, esta forma de agir, de estar, de viver, pratica-se, cultiva-se, adquire-se. Mas isso não significa tolerância cega, cobardia, submissão perante nenhum homem.
Somos donos do nosso corpo, da nossa vida, das nossas ações. Podemos ser a diferença que queremos ver, podemos fazer diferença. Em tudo. Devemos assumir aquilo que somos e queremos, mas nunca para chocar os outros, para magoar quem outrora nos fez sofrer, nem para nos afirmarmos socialmente. Isso só vai trazer dissabores, acreditem. É preciso lutar contra uma sociedade machista, é preciso quebrar com estes padrões de beleza que roçam o perfeito, é preciso quebrar tabus, mas sempre, sempre com respeito. Acima de tudo, respeitarmo-nos. Se falei aqui do quanto a mulher 'é prejudicada', acreditem que os homens muitas vezes também são alvos de grandes injustiças, calma, não sou uma feminista cega. Atacar o sexo oposto, a meu ver, não é defender as mulheres. 
Nós somos umas cabras, muitas vezes, especialmente quando apanhamos os tais, bolos fofos, os homens que fazem tudo por nós, mas parece que só gostamos dos 'errados'. Isto é conversa para outros dez textos.  Para terminar, voltando à minha série de eleição. Deparamo-nos com algo que muitas vezes ainda vemos: Viver das aparências.
No meio de tantas odes ao progresso, é delicioso ver esta ode a valores tradicionais. Não sou nenhuma reacionária, mas lamento algumas mudanças, há coisas que gostava que tivessem perdurado. Mergulhei numa nostalgia, ver estas histórias , é reviver algo que nunca vivi, mas que através destas personagens e acontecimentos, me transportam no tempo e me fazem ter consciência de qualidades que se perderam, tal como , coisas que se criaram, desde então.
Eu sei que depois deste texto, parece que estou a querer gritar ' soltem a franga', meninas toca a ir para o BLISS dar para todos os que aparecerem. Estamos em 2016. Nada disso. Na verdade, sou mais conservadora do que o devia ter sido. Mas já tive a minha dose de  ' o que acontece em Vegas, fica em Vegas', todos nós temos os nossos esqueletos guardados no armário, por pequenos que sejam. O que acho importante é aceitarmos os nossos erros, falhas e experiências, fazendo parte da nossa aprendizagem enquanto seres humanos.  Só a morte é irreversível, à parte disso, tudo pode mudar, todos nós, todo o nosso presente e futuro, para o melhor ou pior. Espero que seja sempre para melhor. 

1 comentário :

i always wonder why birds choose to stay in the same place, when they can fly anywhere on the earth..then i ask myself the same question'
' She had no place she could go without getting tired of it and because there was nowhere to go but everywhere, keep rolling under the stars'