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segunda-feira, 25 de julho de 2016

PRAIAS LIMPAS, CUSTA MUITO?



Sim, é contigo que estou a falar. Tu que culpas os teus pais, família e sociedade pela merda que és. 
Quando fumas, deitas o que sobra do teu cigarro para o chão, até porque apenas foi fazer companhia às outras 15 beatas que já lá jaziam.
Tu que vais à praia para te divertir com amigos, para bronzear e para mostrar o Triquini às amigas, já pensaste em todo o lixo que deixaste em todo o areal que pisaste até hoje? E tu? Sim estou a falar contigo. Vens do bairro, levas o rádio, as sócias, umas mortalhas para 'apertar' as tuas e és amigo dos 'black's' todos da tua escola. Tens quinze anos, mas como já te achas crescido, levas a 'litrosa' de Super-bock para beberes na praia, enquanto fumas o teu charro. Tu vais embora , a garrafa fica lá. Também posso falar com vocês, não me ia esquecer das famílias que montam tenda todos os fins-de-semana, Norte a sul do País. Ora em Caxias, a praia faz-me lembrar o 'lixão', da novela brasileira, Avenida Brasil, lembram-se? E encontramos por lá os catadores de lixo, tal como na novela. Mas aqui, pouco ou nada adianta, porque não se consegue catar os neurónios da  maioria das  pessoas que frequenta as praias da linha, para tentar estudar e perceber o que mudar nas gerações futuras, simplesmente porque a meu ver, essas pessoas não têm neurónios.  A sandes de presunto, toda ela embrulhada no guardanapo, desaparece em segundos na boca da Cátia Vanessa, o guardanapo, esse, ela enterra na areia, ninguém vê. O que ela fez, fizeram outras trezentas pessoas, nos últimos dois dias, na praia de Carvavelos.  Zé Maria, não me diga que se está a rir das baboseiras que estou para aqui a dizer? Ó Zé Maria, o menino esteja caladinho que ainda ontem estava na praia do Tamariz, todo bebado, a atirar uma garrafa de Gin ao mar. O menino foi educado a não deixar lixo na praia, é um rapaz supé educado, mas atira a pastilha elástica para o chão e os cigarros, portanto, não se ache o defensor ambiental da Quinta da Marinha.
Levar um saco para guardar o meu lixo?  Estás-te a cagar se a praia mete nojo, se para chegares à àgua, passas por duas latas de cerveja, uma de coca-cola e outra garrafa de plástico. Não vais apanhar, ponto final. As pessoas tendem a gozar com aquelas que não se importam em apanhar o lixo que vão encontrando na areia, na relva dum jardim ou simplesmente na calçada de Lisboa. Apontam o dedo e riem, enquanto deviam chorar. É um mal geral, é a meu ver uma falta não só de discernimento, mas de educação, inteligência e humanismo.
É o salve quem se puder, é o quem venha atrás que apanhe, o pensamento do ' já não vou estar vivo para ver o resultado das minhas acções'. Pois não. Tu não, mas talvez um neto teu, um bisneto, pelo andar da carruagem, atrevo-me a dizer que até os teus filhos vão sofrer as consequências dos teus atos. Mas é assim tão estranho, gostar de passear por areia limpa? mergulhar num mar translúcido, limpo, onde podemos ver os peixes à nossa volta? Planeamos viagens de sonho a praias fora de Portugal, quando vivemos num país com as melhores praias, com praias lindas e quase em estado selvagem. O problema é nosso e só nosso. É um problema cultural, aliás da falta dela. É um problema de inconsciência, muito mais do que de classe social. Os porcos não são apenas aqueles que tiram o penso higiénico na água da praia da torre, os que atiram fraldas pela janela do carro, os turistas que deixam um legado de cerveja nas praias que abandonam.  Porcos somos todos nós. Os que têm os caixotes para separar  lixo e reciclar, depois deitam cigarros ao chão, acabam por ser a mesma treta.
Quando estive no Rio de janeiro, fez-me muita confusão as praias serem tão sujas. Percebi que não eram os moradores que viviam a escassos metros do posto onde faziam praia. O que infelizmente vejo acontecer em Portugal. Mas eram Brasileiros oriundos dos mais diversos lugares do Brasil, eram as pessoas das favelas, eram os turistas estrangeiros que não sentiam vontade em cuidar daquilo que não lhes pertence. Errado. Pertence. A todos nós, todas as praias do mundo, todo o mar, os Oceanos e a pertence a nós e unicamente a nós, a responsabilidade de preservação destes Oceanos e Natureza. Claro que a maioria dos Turistas vindos na Europa do norte, ficavam chocados com a poluição. Porque será que os países Nórdicos são tão civilizados no que diz respeito à não poluição?


A poluição das praias mata animais marítimos, desequilibra o ecossistema e prejudica bastante as belas paisagens naturais que temos. O lugar do lixo, é no caixote de lixo, é na lixeira, é no lugar destinado à colocação do mesmo. Definitivamente, não é na areia da praia ou na água do mar.  Grave é todos nós sabermos disto, mas pouco ou nada mudar. Quem arca com as consequências? O meio ambiente, os animais e nós. Os Oceanos cobrem mais de 70% do planeta, são o habitat de milhares e milhares de seres vivos e são responsáveis por 50 % da oxigenação que utilizamos. 
 Lembro-me de ter sido olhada de lado e gozada por estar numa praia, da linha de cascais, a apanhar lixo dos outros. Simplesmente não faz sentido para mim, estar numa praia cheia de lixo, não me dá prazer algum ignorar o que está ao meu redor e fingir que estou num lugar limpo. Fiz isto aqui, fiz no Leblon, fiz na Indonésia.  Nunca se esqueçam que o plástico que todos nós, encontramos vezes sem conta nas praias, demora cerca de 400 anos a decompor-se, sendo que a tampa da garrafa, demora cerca de 150 anos. Agora imaginem a quantidade de garrafas espalhadas pelos nossos mares.  Tinham noção? 400 anos???E os preservativos que se deixa nas praias e no mar? demoram mais de 300 anos a decompor-se e matam animais marinhos. Se as beatas não demorassem apenas 20 meses a decomporem-se, Portugal já não tinha calçada à vista, porque somos o povo que mais cigarros deita para o chão.
É importante explicar isto às nossas crianças, pais, avós.  É importante falar disto. Sentem-se à mesa, conversem, perguntem se eles sabiam. Educar é fundamental, seja em que idade for.  Quando visitei Angra dos Reis, decidi fazer um daqueles tours, onde vou eu e mais 50 num barco. Os guias deixaram bem explícito que as estrelas do mar, não podem ser retiradas da água, pois sobrevivem escassos segundos . Elas podem parecer pedaços do céu que vieram colorir os mares, podem fazer parte da nossa fantasia de criança, mas são seres vivos que habitam no Oceano e não devem ser retiradas da água, muito menos por caprichos, para tirarmos as estúpidas das selfies, ' eu e a starfish que acabei de matar', é a única legenda possivél para tamanha estupidez. Mas lá está, será que as pessoas que o fazem sabem? O mesmo aconteceu com os cigarros. Pediram para ninguem deitar cigarros, beatas para as águas, explicaram o mal que isso provocava por exemplo às tartarugas. Os turistas Argentinos, colombianos, riam e deitavam os cigarros para a água, enquanto bebiam e diziam ' I DONT GIVE A FUCK'.
Realmente quando penso na resposta que o mundo está a dar, a natureza a sufocar, a gritar ajuda, a ser ignorada e a dar-nos demasiados avisos, não consigo ter pena da Raça Humana, quando a natureza nos engolir e mandar novamente para o 'nada'. 
Procurem na Internet o tempo que demora cada 'coisa' que deitamos fora, a decompor-se. Vão sentir-se tristes com vocês mesmos, pelo menos eu senti-me. 


2 comentários :

  1. Como bióloga marinha subscrevo tudo isto. Não temos de ser todos preocupados com a pegada ecológica do algodão que vestimos... Mas caramba, há um mínimo que todos temos o dever de cumprir e que já deveria estar intrínseco na nossa geração.

    Se algum dia te candidatares a Ministra do Ambiente ou até da Educação... I got your back!

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  2. Ohhh pá, só hoje vi o teu comentário. Tinha os comentários ocultos. Sou mesmo tótó, mas adorei, obrigada. =) Beijinho

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i always wonder why birds choose to stay in the same place, when they can fly anywhere on the earth..then i ask myself the same question'
' She had no place she could go without getting tired of it and because there was nowhere to go but everywhere, keep rolling under the stars'