quinta-feira, 13 de julho de 2017

Seis anos de solidão

A imagem não é nítida, é como se existisse uma nublina entre a lente da camera e a ação. Se fosse uma fotografia, seria daquelas que editamos, onde  a granulação dá um ar antigo.  Apareces quase sempre envolta numa espécie de lençóis amaralados, presos ao teto, parecem as cortinas dos hospitais antigos que vemos nos filmes de guerra. A voz, essa consigo escutar na perfeição, é a voz da saudade. O cheiro, uma mistura muito suave de perfume Angel com o Aromatics elixir da clinique, juntamente com o cheiro que nos é caracteristico, a essência da nossa pele é mais forte e única do que uma impressão digital. E que pele macia e translúcida era essa. Uma pele que revelava a fragilidade de quem se submeteu ao assédio das agulhas e da radioterapia. Nunca existiu, neste Planeta, alguém com um cabelo tão bonito e cheiroso, tão revelador da personalidade escorpiana mais apaixonante que conheci.  Bom, estavamos sempre às turras, é certo, mas é o que quem ama melhor sabe fazer, não é? Uma perca de tempo, agora sei.

- Já tinha saudades. Quanto tempo vais ficar? Por favor não me deixes outra vez, tenho medo que não voltes.

- Mas eu estou aqui, meu amor.

- Não sei se é real. Eu sofri tanto. Morreste. Fui eu que te fechei os olhos. Quis morrer, e quero morrer cada vez que essas imagens voltam, é reviver cada minuto, é condenar a minha alma ao declínio, é ver-te morrer vezes sem conta quando apenas uma bastou para que levassem parte de mim, juntamente contigo naquele caixão. É a impotência no sentido mais cruel da palavra.


De todas as vezes que aparece, nem sempre tem noção de que morreu, já não há um 'eu' físico,  já não existe sangue a correr dentro de si. Mas ela está quente, é ela e eu abraço e beijo até perder as forças.
Algumas vezes, ela sabe que lhe foi dada uma segunda oportunidade, não só para se despedir, mas para me preparar para a sua partida.
Mas há em mim uma angústia cada vez que a abraço e o medo em perdê-la é imesurável.
 Quando acordo, volto a fechar os olhos com toda a força que me é permitida, na ânsia  em encontrá-la de novo, algures por detrás daqueles lençois amendoados.
Esta é forma inconsciente que a minha alma encontrou para apaziguar a dor da perda. 
E o amor, esse viverá em mim até ao meu último suspiro.

Tal como a saudade, a palavra portuguesa mais forte que habita no Dicionário e na poesia de amor da língua portuguesa.

Hoje, sei que estaremos juntas quando adormecer e cair no sono profundo. 
Até já, mãe.



13/7/2011









sábado, 8 de julho de 2017

OS LAÇOS


Poderia perder a visão ou a audição, deixar de ver o azul do mar que me acalma em dias mais turbulentos, poderia ainda deixar de ouvir aquela colectânea de músicas que fazem parte de mim. Poderia aos poucos esquecer o som da buzina em dias de intenso tráfico no IC19, a voz estonteante da minha mãe quando está irritada e grita “Filipa, vamos jantar!”, a melodia das quatro estações de Vivaldi, a voz daqueles que amo e o contorno do rosto das suas faces, mas jamais suportaria perder os “laços” com o Mundo.

HEROÍNAS NUM MUNDO DIFERENTE

“Em Portugal é preciso ser-se rico para se ter um filho assim. É um trauma. Claro que preferia ter um filho normal. Tenho muita pena. Há alturas em que me questiono sobre o futuro dele. O meu maior objectivo é que o Miguel seja independente e funcional. A fala é fundamental e eu não desisto. É para isso que vivo. Nunca perdi, nem perco a Esperança.”

ANÁLISE FÍLMICA DUMA ZÉ NINGUÉM

Que as aparências iludem, já todos nós sabemos, graças a programas educativos como o Love on top, ou através da Metamorfose, de Franz Kafka.

domingo, 4 de junho de 2017

NEOFUCKERISM SOUNDS LIKE A HELL OF A SCIENCE

25 de Outubro, de 2010. 




'Acabei de fumar um cigarro. Existe desejo maior, após um tórrido momento de puro sexo, de entrega, do que acender subtilmente um cigarro e ficar ali nua, a olhar para o meu umbigo, a viajar por meros segundos no Olimpo do egocentrismo? Eu pelo menos gosto. E raramente fumo. Eu adoro a sensação. Quando não há o cigarro após o acto, parece-me quando vou às lojas e fico a olhar a montra. Devem estar a perguntar, mas então e o orgasmo?  o ex-libris do prazer. O quão essencial para mim e fumar um cigarro , por simplesmente ter recebido gratuitamente uma foda psicológica , o orgasmo é múltiplo.
i always wonder why birds choose to stay in the same place, when they can fly anywhere on the earth..then i ask myself the same question'
' She had no place she could go without getting tired of it and because there was nowhere to go but everywhere, keep rolling under the stars'